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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sobre Mudanças...

Quando pensamos em mudança sentimos um frio na barriga quase que imediatamente. Por que será que sentimos tanto medo das mudanças? Bem, eu não sei ao certo a resposta para essa pergunta, mas posso dizer um pouco do que me causa medo.
Acho que todos nós trememos um pouco diante do novo. A incerteza do que vamos encarar pela frente sempre nos faz pensar com cautela sobre a mudança...Porém muitas pessoas permanecem estagnadas por medo de encarar as novidades da vida, acreditando que o seguro morreu de velho e que seguro mesmo é continuar naquilo que já se conhecem. Uma grande besteira!!
Imagina o tanto que perderíamos se continuássemos sempre apostando nas coisas antigas! Não conheceríamos lugares diferentes, nem pessoas novas. Saberíamos muito pouco ao nosso próprio respeito (pois acredito que  só nos conhecemos de verdade quando saímos da nossa zona de conforto) e, o mais importante, não coneguiríamos lidar com os imprevistos da vida! Ou seja, quem não dá chance para o novo não vive!
Por que falar sobre mudança hoje? Por que ultimamente ela tem me feito sentir aquele frio na barriga.
Estou no fim do meu curso superior, me preparando para a vida profissional e para a incerteza de se ter um diploma na mão e um mercado de trabalho pela frente. Fora isso, estou próximo de me mudar de cidade e comprovar que, apesar de muitas vezes ter parecido, não vivo no "Show de Truman". E acredito que a mudança mais profunda e também mais delicada que passarei dentro de 2 meses é a de , após um ano de distância, voltar a morar junto com meu marido. 
Por que é a mudança mais delicada? Por que além de termos que nos reaproximar, teremos que aprender a conviver em família, não mais como um casal, mas como pai, mãe e filho. De certa forma, nesses seis meses acabei me acostumando a ser mãe sozinha, tendo toda atenção do Heitor para mim, assim como toda a responsabilidade também. 
Confesso que estou louca pra dividir as responsabilidades e também o carinho, pois sei o quanto é importante ter a presença de pai e mãe para a criança, mas confesso que tenho medo de não saber lidar bem com isso. De ficar com ciumes, tanto do meu filho, quanto do meu marido.
Ah, sei lá...acho que isso é um grande desabafo...quem sabe pode nem acontecer nada, e o processo de adaptação ser muito mais tranquilo do que eu imagino. Provavelmente é assim que acontecerá, uma grande tranquilidade. 
Mas as mudanças causas justamente isso conosco, essa tentativa de previsão do futuro. Em pessoas como eu esse drama é até comum...mas tudo não passa do medo e da incerteza do que o futuro nos reserva. Queremos estar preparados para as muitas possibilidades, mas esquecemos que a vida se encaminha por conta própria e que quando imaginamos não ter a saída para determinada situação eis que se apresenta um que até então não tinhamos parado para reparar!
Essa é realmente a grande maravilha da vida!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

BLOGAGEM COLETIVA: VÍNCULO

Não sei se por cursar psicologia, mas sempre tive muita preocupação com o vínculo que construiria com meu filho, mesmo antes de ficar grávida.Sei da importância que um bom vínculo tem para o bom desenvolvimento emocional da criança, pois a mãe é a primeira experiência da criança com o afeto e é a partir desta vivência que ela vai aprender a se vincular com outras pessoas.

O meu vínculo com o Heitor é baseado no toque. Sinto que meu amor por ele é tão grande que parece que nenhuma palavra conseguira passar esse sentimento de felicidade que sinto quando estou ao seu lado. É assim desde a barriga.

Minha  mãe reclamava muito porque não me via falando com a minha barriga, e por isso achava que eu não conversava com meu filho. Porém minha conversa com ele acontecia em outro nível. Acredito que ele sentia quando eu estava feliz e tirando um tempo só para ele.Mesmo no silêncio, me concentrava para passar todo o amor que existia dentro de mim para fazê-lo crescer forte e saudável.

Hoje continuamos assim, Costumo trocar 'segredinhos' com ele, dizendo o quanto ele me faz feliz e o quanto o amo. O mais gostoso é que percebo que ele escuta os meus sussurros, fica bem quietinnho, prestando atenção no que tenho para lhe falar e depois me delicia dando sorrisos gostosos. Fora isso, acabo sempre me surpreendendo com o quanto meu filho é carinhoso, apesar de ter apenas 6 meses. Ele adora carinhos e quase sempre, quando vou reparar, estamos com nossas mãos dadas, fazendo carinho uma na outra.

Bem, esse é um pouco do vínculo que tenho com meu filhote. Mas para a Blogagem Coletiva mesmo gostaria de falarsobre outro vínculo: o do meu filho com o seu pai.

Poucas sabem, mas faz quase 1 ano que meu marido foi morar em Rio Branco-AC. Quando ele se mudou minha barriga ainda não era evidente e ele não estava presente nos primeiros chutes do bebê e nem podia conversar sempre com a minha barriga feito um bobo.
Durante muito tempo me preocupei ( e confesso que ainda me preocupo muito) com a forma que o apego entre eles aconteceria, já que desde que ele se mudou nos encontramos apenas 4 vezes.

Todas as noites eu e o meu marido os falamos por telefone (graças à maravilhosa TIM Infinity) e eu tento contar em detalhes todo o desenvolvimento diário que percebo no Heitor, na tentativa de mantê-lo por dentro de tudo que rola com nosso filhote. Uma saída que acabei encontrando para fortalecer o vínculo entre os dois foi fazer com que eles 'conversassem' pelo celular. Como?? Pelo Viva-Voz!

Aciono o Viva Voz do celular e o meu marido fica falando com o Heitor, enquanto este tenta roubar o telefone da minha mão para comê-lo. Eu acredito que a idéia tem dado certo, pois sempre que meu filho vê o celular ou escuta um "Alô Papai!" fica todo animado, esperando aquela voz do outro lado da linha.

Através desta conversa diária entre pai e filho, meu marido sente menos distante de nós e sei q escutar os gritinhos do Heitor faz tão bem à ele quanto escutar as 'babações' do Semmys faz bem ao Heitor.

Todo vínculo é lindo, mas vejo uma beleza maior ainda no vínculo criado apesar da distância.Não é fácil manter um vínculo quando nos afastamos, fazer surgir um nesta situação deve ser mais dificil ainda. Por esse motivo acho tão especial a relação destes dois homens da minha vida.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos. " ( Cyril Connolly )



Estava viajando por alguns blogs e sites e me deparei no site "Não dois, não um" com algumas dicas para casais que moram juntos. Como faço parte deste grupo há 3 anos( apesar de neste exato momento experimentar o tão temido relacionamento à distancia) logo me interessei pelo tema e nele encontrei uma dica que causou um pouco de dúvidas nos leitores do site, mas me fez ter uma leitura filosófica, a dica era a seguinte:

9. Casem

Antes de morar junto, por favor, casem. A mudança dos móveis consolida um casamento de qualquer modo, apenas admitam e superem qualquer aversão a essa instituição falida. Ela ainda movimenta o imaginário coletivo: mesmo para os casais mais moderninhos, a afirmação “somos casados” é bem diferente do que “moramos juntos”. Além disso, morar junto sem festa de casamento e lua-de-mel é como ir a praia, enfrentar trânsito para chegar, ser picado por mosquitos, pagar caro pelo guarda-sol e não entrar no mar. É cair na pior parte do casamento sem aproveitar a melhor. Se não quiserem enfrentar papéis e não simpatizarem com religião alguma, apenas celebrem: chamem os mais próximos, dancem, se declarem publicamente ao som da música mais linda e comecem uma vida a dois só depois de chegar do aeroporto.


Não concordo com tudo que ele diz mas pegando a linha de pensamento da dica, acredito que as pessoas ao decidirem morar juntos deveriam se casar sim... mas não com festas, rituais religiosos ou acordos nupciais. Elas deveriam casar-se, um com outro, de corpo e alma.

Vemos cada vez mais casais que passaram por todos os ritos de passagem da solterisse para a vida de casado que não conseguem aproveitar as coisas boas que a vida à dois podem oferecer, como o companheirismo, a cumplicidade e os belos imprevistos da vida cotidiana, na maioria das vezes cômicos(ou pelo menos um bom episódio de uma tragi-comédia) pelo simples fato de, apesar dos votos e assinaturas não terem se comprometido de fato com a pessoa que decidiu dividir sua vida, mesmo que seja por um tempo.

Têm se tornado cada vez mais comum pessoas casadas não terem absolutamente nada em comum em suas vidas, a não ser a cama que dividem( as vezes só para dormir mesmo) no fim do dia. Elas não possuem o mesmo ciclo de amizades, não frequentam os mesmo locais e nem trocam idéias sobre o que aconteceu no seu dia. Parece que, nestes casos, o casamento continua sendo um acordo econômico, onde juntamos nossas rendas para tentar fazê-las ter lucros e, então, termos a possibilidade de um vida mais confortável.

Pensando desta forma, é claro que o casamento terá essa imagem de instituição falida. Não estou falando que tudo deve ser igual à época do namoro, mas por que não tentar manter aquelas coisas que mais fizeram você ter o desejo de dividir sua casa e sua vida com seu escolhido(a)?

Acho que a vida já é tão dura que se não tentarmos fazer a nossa parte para que a vida à dois seja mais gostosa, as piadas infames sobre casamento se tornarão a mais pura verdade em nossa, mas sem aquela risada no final, pois a desgraça só se torna engraçada quando já se passou um tempo desde o acontecido ou quando acontece com o outro!